Presidente do Santos admite erro em caso Robinho e explica déficit: "Foi uma opção"
Presidente não documentou aumento de mais de R$ 1 milhão ao atacante em 2015;
Peixe teve prejuízo de R$ 43,5 milhões no primeiro semestre deste ano
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presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, admitiu que errou ao oferecer aumento
de mais de R$ 1 milhão a Robinho em direitos de imagem, em janeiro de 2015, a
penas verbalmente. O acréscimo não foi documentado pela diretoria à época.
O Conselho Fiscal do Peixe auditou um acordo feito com o atacante, atualmente no
Atlético-MG. O valor é de R$ 3.940.948,19, a ser quitado em prestações. Na investigação,
foi percebido um reajuste não pago pelo clube de R$ 1.416.883,00.
O valor de dívidas de atrasos de salários e premiações pleiteado por Robinho era
de R$ 3.179.545,00, que, com juros, chegaria a R$ 4.073.634,00. Após verificação
no RH do clube, foram constatados pagamentos de salários, ditos pendentes, já
pagos. Dessa forma, o valor com juros caiu para R$ 3.294.614.
Em reunião do Conselho Deliberativo na noite desta quinta-feira, Modesto reconheceu
o equívoco:
– Deveríamos, sim, ter feito a formalização da questão. Eu mantenho minha palavra.
Naquela situação e naquele momento, precisávamos, sim, conquistar o elenco. O
erro foi a não formalização, mas não a situação em si. Eu posso e prefiro assumir o
pecado da não formalização do que ter o erro da mentira ou do não cumprimento
da obrigação – disse, sem deixar de tentar justificar a medida.
– O acordo verbal, aqui ou em qualquer empresa, é válido e reconhecido pela Justiça.
Tivemos uma situação muito perto do caos. Precisávamos resolver situações no elenco.
Precisávamos da colaboração daqueles que podiam segurar o elenco,
daqueles que, naquele momento, podiam suportar a debandada geral que
estava prestes a acontecer. Estavam simplesmente debandando do clube –
afirmou Modesto.
– Tínhamos perdido cinco jogadores (Leandro Damião, Arouca,
Mena, Aranha e Matheus Índio) e muitos caminhavam para as
mesmas resoluções na Justiça do Trabalho. Precisávamos de
alguém que segurasse a bronca e dissemos ao atleta (Robinho).
Ele reivindicava um aumento que já era prometido porque o clube
(Milan) parava de pagar a parte do salário a partir do primeiro dia
de janeiro. O Santos pagava e não recebia mais a complementação
do Milan. Ele dizia que precisava recompor o salário – explicou o
presidente santista
Rombo gigante
No encontro com os conselheiros, o presidente ainda explicou o déficit de R$ 43,5
milhões no primeiro semestre. A previsão do clube era fechar o período com um
superávit de R$ 29,8 milhões.
– O déficit do primeiro semestre foi uma opção por causa da Libertadores. Temos
que levar em consideração todo o ano. Vendemos Thiago Maia e sabíamos da
venda do Neymar no começo do segundo semestre (números que serão contabilizados
no segundo semestre). O prejuízo é normal quando não se vende e se contrata bem.
Não podemos analisar a administração sem levar em consideração todos os
aspectos. É preciso levar em conta a peculiaridade de um clube de futebol.
Modesto também falou que "gostaria de analisar melhor o relatório" feito pelo
Conselho Fiscal. Por fim, sem citar explicitamente o Palmeiras, o presidente
santista sugeriu que recebeu elogios de Leila Pereira, presidente da Crefisa,
principal patrocinadora do rival paulista.
– Outro dia, em um jantar com presidentes de grandes clubes, um deles
dizia: "Como você consegue manter futebol com folha salarial de 4,9 milhões,
se eu não consigo fazer com folha menor que 12,5 milhões? E vocês estão
na frente!". Uma patrocinadora de clube coirmão disse: "Eu ponho tanto dinheiro
em um clube e vocês estão na Libertadores e não estamos?" Não é mágica.
Estamos recuperando e renascendo o Santos Futebol Clube – completou Modesto.
Segundo o Conselho Fiscal, a situação do Peixe vai piorar no segundo
semestre. Mesmo que todas as receitas previstas realmente entrem, não
serão suficientes para fechar as contas do ano. A previsão do órgão é de
que, se der tudo certo, o Santos fechará 2017 devendo R$ 31,5 milhões.
Trabalho bem feito
O regimento interno do Conselho Fiscal, responsável pelo relatório com as
contas do Santos no primeiro semestre, foi aprovado por unanimidade pelos
conselheiros presentes na reunião.







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